Leituras técnicas de 2025
Desde 2024 me propus a trocar tempo inútil de tela por leitura, não importando o tipo, e confesso que o resultado foi fenomenal! Em 2024 li por completo 4 livros técnicos e 2 não-técnicos, e publiquei sobre os técnicos aqui. Como não publiquei sobre os não-técnicos de 2024 irei listá-los aqui:
- O Pacto da Branquitude, por Cida Bento: na minha opinião leitura essencial para nós, pessoas brancas, para refletirmos e compreendermos como já nascemos com as estatísticas (e outras pessoas brancas) trabalhando a nosso favor;
- A Vida Não É Útil, por Ailton Krenak: esse livro me fez pensar, além de várias outras coisas, em todas as bobagens contadas no LinkedIn, tech brows e a sana em destruir tudo para satisfazer investidores.
Esse ano de 2025, para minha própria surpresa, li 15 livros completos e foi bem interessante notar como fui de realizar uma atividade meio chata e forçada para um hábito como escovar os dentes. Estes foram os livros técnicos que li em 2025:
- Domain Driven Design Distilled
- How AI Works
- Software Architecture Patterns
- Artificial Intelligence, a guide for thinking humans
- Product Management in Practice
- Prompt Engineering for LLMs
- Identity Security for Software Development
- Concurrency in Go
- Web Security for Developers
Domain Driven Design Distilled
Já ouvi falar que o livro clássico Domain Driven Design é muito denso e difícil de ler, então achei melhor começar por esse. É um livro enxuto, rápido de ler e sumariza os principais conceitos de DDD.
Acredito que vale a leitura, porém, creio que faltou um pouco de revisão. Exemplo: em um único parágrafo o autor repete a mesma coisa três vezes, uma atrás da outra, além de apontar uma coisa óbvia de uma imagem. Essa percepção de escrita meio enrolada me acompanhou em alguns momentos, mas foi uma percepção pessoal, creio que não invalida a importância desse livro. Em algum momento irei ler outras alternativas como “Learning Domain-Driven Design”, que é um livro com bons reviews e parece ter uma proposta parecida.
Recomendo a leitura, porém, como é apenas teoria, estou fazendo o projeto prático do “Domain-Driven Design with Golang” para consolidar melhor os conceitos. DDD definitivamente não é simples (deveria ser?).
How AI Works
Não se engane, esse é um livro técnico apesar da capa fofinha da No Starch Press. Inicialmente achei que encontraria algo parecido com o “Artificial Intelligence Basics” que li ano passado, mas esse livro passa por conceitos bem profundos e complexos, apesar de evitar fórmulas matemática (mas falando de conceitos dela). Apesar disso é extremamente didático de uma forma muito engajante.
Eu não tinha intenção de ler esse livro esse ano, acontece que eu folheei algumas página no Kindle e simplesmente fui fisgada. Como a intenção dessas leituras é principalmente filosófica, ser fisgada por um livro técnico é tudo que eu queria mesmo. Acredito que ajudou a, de certa forma, acalmar meus nervos com relação a inteligência artificial.
Por fim: altamente recomendado. Leia 5 páginas, se você não for fisgado(a) por esse livro, você está morto(a) por dentro 😆
Software Architecture Patterns
Este é um report da O’Reilly, o que significa que é um livro pequeno, um relatório mesmo, focado em falar sobre padrões de arquitetura de software. Achei bem enxuto e direto ao ponto, porém, não sei se houve algum valor real ao ler esse livro. Talvez seja interessante para quem só quer manter um hábito saudável de leitura, ou apenas quer revisar alguns pontos dos tipos de arquitetura. Mas vale frisar que escolhi esse livro por causa do autor Mark Richards, que é quem escreveu juntamente com Neal Ford o “Fundamentals of Software Architecture”. Achei que seria uma boa começar por esse reporte, assim como fiz com o Domain Driven Design Distilled.
Artificial Intelligence, a guide for thinking humans
Que livro fantástico! Tem um pouco de “How AI Works” nos quesitos históricos e de funcionamento, mas não vai tão a fundo tecnicamente quanto ele, no lugar da profundidade técnica tem um quê filosófico, de questionamentos críticos, e tons pessoais da autora cuja história está entrelaçada com o tema. Melanie Mitchell é professora de ciência da computação e em 1990 já estava escrevendo teses sobre inteligência artificial.
Recomendo fortemente.
Product Management in Practice
Não, não tenho interesse no cargo, mas decidi ler esse livro por curiosidade para entender um pouco melhor sobre esse papel, e reponder a pergunta “por que alguém faria isso a si mesmo?”.
O livro começa bem filosófico, o que não era minha expectativa. Minha expectativa inicial era ler um livro recheado de termos técnicos com muita informação sobre frameworks para o trabalho de gerenciamento de produto em si, mas não foi sobre isso. Na realidade, uns 90% desse livro é só sobre comunicação, interna, externa, entre diferentes camadas de atuação e liderança, com colaboradores e clientes, e sobre gerenciamento de expectativas e de egos, dos nossos e dos outros. Uma verdadeira terapia.
O autor Matt LeMay dá dicas de padrões de comportamentos comuns, tanto positivos quanto negativos, no contexto de produto de uma empresa, e sugere comunicações, frases prontas mesmo, para lidar com diversas situações.
Prompt Engineering for LLMs
No início do ano, por ignorância, eu achava que prompt engineering descrevia apenas a situação de escrever bons prompts para um LLM em um chat na web, porém, entendi que o termo não se refere apenas a essa situação. Esse livro foca em prompt engineering do ponto de vista de uma aplicação intermediária, que manipula o prompt escrito pelo usuário, o adequa para o caso de uso, otimiza para um resposta eficiente e o modela num JSON para realizar uma chamada para um modelo de LLM, como o GPT-4.1. Aborda vários aspectos, tanto de otimização do prompt, como alguns parâmetros de exemplo da API da OpenAI, como atenta para questões de preço pelo token, etc.
No geral achei bem interessante a leitura, importante para sair da completa ignorância no assunto. Não tenha vergonha, somos todos burros, só no LinkedIn todo mundo parece ter mestrado em inteligência artificial.
Identity Security for Software Development
Esse é um livro focado em práticas de segurança em gerenciamento de identidades, tanto humana (como autenticação, autorização, ciclo de vida de usuário, acesso privilegiado, etc) quanto máquina (secrets, certificates, mecanismo de autenticação e autorização para acessar outras máquinas, etc). Esse é o tipo de assunto que ainda está meio amorfo na minha mente, mas esse livro serviu para me dar uma visão mais macro sobre isso: segurança de identidades no código, soluções de gerenciamento, na cloud, no Kubernetes e pipelines de CI/CD.
Concurrency in Go
A autora tem uma escrita excelente e engajante, o que eu não esperava de um livro técnico e prático. É necessário ir rodando e testando os exemplos do livro pois concorrência é assunto muito desconfortável e não-natural, é o típico “só acredito vendo; eu vendo: não acredito”.
Os primeiros capítulos já entregam muito conteúdo e exemplos, e fica claro que este livro é mais adequado a quem já tem conhecimento em programação e na linguagem Go.
Web Security for Developers
Como andei preocupada com temas de segurança em tempos de AI peguei também esse livro para ler. É bastante acessível, sumarizando do zero conceitos basilares, como funcionamento de browsers e protocolos de internet. É um equilíbrio interessante entre dar contexto e depos explicar os tipos de ataques. São 18 capítulos e na parte II vemos com detalhes os tipos.
No geral, um livro excelente e recomendado.
Esse ano farei diferente e irei listar os não-técnicos também, afinal, ler apenas conteúdos técnicos é a forma mais rápida para ficar bitolado e sem diversidade de assuntos. Eis os livros:
- Babel: vou ser honesta, não achei esse livro grande coisa, mas creio que estava tão faminta por livros de ficção que devorei em pouco tempo. A melhor parte do livro para mim foi o tópico de linguística, diretamente entrelaçado com a trama fantasiosa. A autora é a R. F. Kuang;
- Watchmen: um clássico do Alan Moore e Dave Gibbons, porém nunca havia lido. Li a edição DC Campact, que tem o mesmo formato que um livro comum, é muito cozy para ler;
- Leviathan Wakes: já havia lido, então esse foi o segundo round e, nossa, que série fantástica. O Daniel Abraham e Ty Franck sabem como te envolver na trama e fazer um filme na sua cabeça. Ainda irei tatuar a Enterprise, a Serenity e a Rocinante juntas, as melhores naves de ficção de todos os tempos;
- Calibans War: começa mais devagar do que o primeiro livro, mas a construção até a ação é muito boa, com muito mais partes de política internacional, e Avasarala e Bobbie são sensacionais;
- Hipocritões e Olhigarcas: excelente livro do Rui Tavares. Fala sobre guerras culturais (assuntos que exaltam os ânimos, dividem as opiniões com polarização extrema, centrado em temas de identidades, valores e narrativas), coisa diretamente interligada com o desenvolvimento tecnológico da humanidade. Extremamente recomendado;
- Abbadon’s Gate: também começa devagar, com menos tempo com a equipa, mas depois que amarra os fios fica brutal, com muita ação e decisões que são a carinha da humanidade.
Atualmente estou lendo Cibola Burn, pensando nos conflitos internacionais que a colonização de Marte irá causar no nosso mundo. De livro técnico estou lendo Tidy First, mas estou na parte menos interessante, sem código (hehe!).